Zamenhof também ofereceu, para toda a humanidade, uma língua comum, neutra, justa e não-imperialista, que foi, em 1921, um objeto de uma proposta de resolução apresentada à Liga das Nações de 11 países, entre os quais mais da metade de fora da Europa (Bélgica, Brasil, Checoslováquia, Chile, China, Haiti, Índia, Itália, Colômbia, Pérsia e África do Sul), de modo que devesse ser ensinado em todas as escolas do mundo - a língua Esperanto.

A oposição mais furiosa veio do governo francês, que então representava o poder colonialista com um sonho de um retorno ao Império e isso em uma época em que era culpada por ações, cuja consequência foi favorecer a ascensão de Hitler, a ocupação do Ruhr (1923-1924), num momento em que a comunidade esperantista procurava estabelecer relações de amizade construtivas com o povo alemão com muitas trocas e atividade cultural intensa: Congresso Universal de Esperanto em Nuremberg em 1923 com 4.963 participantes (número superado apenas durante o congresso do jubileu do centenário da língua em 1987, em Varsóvia, 5.946), Congresso da associação sócio-cultural da SAT (Sennacieca Asocio Tutmonda – associação universal apátrida) em 1923, em Kassel, sob a Presidência de Honra de Albert Einstein (Prêmio Nobel de Física 1921).

Em 1933, o Congresso Mundial de Esperanto foi realizada em Colônia, cujo prefeito, Konrad Adenauer, aceitou a presidência honorária. Preso pelos nazistas, ele não pode aparecer na conferência, onde mostraram-se principalmente homens que viviam de aparência. Muito mais tarde, em 1962, Charles de Gaulle não pode imaginar nada melhor do que ironizar o Esperanto ....

Hoje, a União Europeia, cujo lema é "Unidade na diversidade", contribui para a formatação dos cérebros com a obrigação de se usar uma linguagem única, principalmente essa de um país que menos contribuiu para a construção dessa unidade e às vezes até mesmo foi um empecilho à mesma, freando-a. Ela forneceu sempre um lugar maior para o Inglês, de acordo com a negociação da Conferência anglo-americana, realizada em Cambridge, em 1962, cujo relatório afirma que, "no interesse comercial e político dos países de língua inglesa" – os quais atribuíram a si o nome de "Centro" e ao resto do mundo de "periferia" – foi necessário dominar qualquer resistência ao Inglês. Exatamente o que faz a União Europeia.

Fundada sobre uma discriminação cultural-lingüística, e sobre uma língua que é o veículo essencial de um sistema econômico fundamentalmente injusto, essa Europa não tem nada a ver com o que o Dr. Zamenhof propôs em 1915:

"Mas lembre-se, lembre-se, lembre-se que a única maneira de alcançar a paz é abolir para sempre a principal causa da guerra, a permanência bárbara de uma antiga época incivilizada: o domínio de um povo sobre outro povo "

A União Europeia exige o uso de uma linguagem ligada a uma forma de ver o mundo, de pensar, de agir e reagir, de consumir. Com esta eliminação linguística dos espíritos, reforça "o domínio de um povo sobre outro povo": ela nunca se opôs firmemente contra desvios militares de um país culpado pelo maior número de guerras na história da humanidade, o primeiro produtor e vendedor de armas e meios de destruição em massa no mundo, condenado publicamente já em 1935, em um trabalho intitulado " “War is a racket“ por um dos militares mais famosos do Exército dos EUA, General Butler Smedley.

O Comitê Nobel não é mais digno de elogios ou prêmio que a UE.

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"Apres o Grande Guerre: Appel ou Diplomates"
www.esperanto-sat.info/article248.html

Texto original em Francês escrito por Henri Masson,
(EO) www.ipernity.com/blog/32119/421579
(FR) www.ipernity.com/blog/32119/421582
e traduzido para o português por Vitor Mendes.

Appel aux Diplomates lancé par le Dr Zamenhof en 1915 (extraits)
www.esperanto-sat.info
Publié par "The British Esperantist" XI.1915, p. 51-55 avec traduction en anglais. "Esperanto" (Genève) XII.1915, p. 42 (6) - 43 (7). "La Verda Standardo", organe officiel de la Société Hongroise d’Espéranto, 1915, n° 8, p. 1 -4.